I Don't Know Anything About Love .
But...
I still Believe ♥

But...
I still Believe ♥

Todos os dias, preenchia os seus passos com soluços de mágoa. Para ela, todos os homens que caminhavam por aquela triste rua, assemelhavam-se a pedaços de dor, pedaços de dor disfarçados por falsos sorrisos. E os corpos apagados nos quais ela embatia sem pedir desculpa, não notavam a sua presença, estavam submersos nos seus próprios pensamentos egoístas. E logo ai, apercebeu-se que esses meros corpos apagados, nem força têm para sustentar verdadeiros sorrisos sob os lábios. E o medo que lhe dominava a alma era, nesses dias, a força do vento que ela traçava nas ruas sem que ninguém os sentisse no rosto. O vento soprava-lhe constantemente incertezas ao ouvido e ela contava-lhe mais uma vez a sua história, num tom triste sem nunca ousar mencionar o nome daquele que traçou no seu rosto, lágrimas carregadas de dor. E, esperançosa, voltou a pedir ao vento que levasse do seu coração, aquele nome, delineado a carvão. A carvão negro, da cor da sua alma. E nem o vento, conseguiu destruir aquele nome, aquele nome que tem camuflado nas entrelinhas, uma grande história de amor. E o amor não se lê nas entrelinhas, nem tão pouco se extingue. Na verdade, o seu coração é um segredo. Um segredo selado a palavras que ninguém aprendeu a ler. A rua torna-se tão sombria que tudo se perde na noite. A escuridão fez-lhe relembrar as cartas de amor outrora escritas, as cartas de amor que não se escrevem mais sobre papel, escrevem-se sobre o peito sem que ninguém as ame, sem que sejam seladas com gestos de amor. E no final, essas cartas só servem para lhe cobrar as forças que já perdeu e para lhe ensinar que as palavras não são suficientes para salvar um coração que se cansou de sonhar. Ela era, então, mais um corpo sem luz, perdida entre o luar da noite e o sol do dia. A chuva traz na sua canção um tema de recordações que lhe assenta os pés na terra de uma forma triste e suave, porque na realidade não há mais passos para dar. Morreram as palavras. A vida morre também num canto ao fundo do coração que nenhum espelho consegue reflectir. Olhou para trás para se certificar que a dor não a seguia. Mas o que ela não sabia, é que a dor a perseguia lá dentro, nunca lá fora.